Conto - "Os peixinhos de ouro"


Fazia um frio terrível, o vento soprava lá fora na noite iluminada por uma lua sorridente de cara cheia e o mar ondeava.
- Toino, Toino levanta-te homem! São horas!
Era a mulher do Toino a D. Carminha acordando-o para ir para a faina da pesca. Tinha que ser, mesmo estando frio, mesmo com o mar revoltado, mesmo com o vento soprando. A pobreza era muita mas, unia-os o amor de uma vida, um amor tão lindo que superava tudo.
Toino levantou-se beijando a mulher que lhe sorriu feliz. Preparou-se levou a merenda que Carminha tinha preparado e partiu.
- Até logo minha querida...Deus queira que hoje apanhe algum peixe.
- Adeus tem cuidado contigo Toino!
Toino era um homem grande de aspecto rude e no seu olhar transparecia a infinita bondade que o caracterizava em todos os momentos da sua vida.
Atravessou o areal que o separava da sua humilde casa, oltou o barquinho que mais parecia uma casca de noz e fez-se ao mar.
Lançou a rede e esperou. Desejando intimamente que viesse algum peixe à rede. Havia muitos dias que não pescava porque o mar estava revolto e zangado com os outros homens que eram maus e egoístas. Não ia à faina porque Carminha não deixava tinha medo de o perder. Mais valia ter fome e ter o seu homem, dizia ela.
Nessa madrugada ela levantou-se tiritante, receosa, olhando com medo lá para fora mas viu uma lua sorrindo redondinha. Apesar do vento frio que soprava, o mar ondeava devagar como se embalasse os peixes e cantasse - Durmam, durmam meus meninos!...
Toino puxou do seu cachimbo, encheu-o com o último tabaco que tinha e acendeu-o, soltando fumaças sonolentas, olhando pensativo a rede. De repente sentiu-a pesada, muito pesada. Puxou, puxou...ui como estava pesada...e qual não é o seu espanto quando ao abri-la, verificou que esta tinha peixes dourados. Admirado tocou-lhes mas o vento parou de soprar, o mar começou a cantar, uma luz colorida iluminou a rede, a lua dançou na noite, dela saindo uma linda menina que lhe disse:
- Toino sempre foste um homem bom. Há muito tempo que te olho lá de cima do meu reino. Não olhes para mim admirado, sim sou uma fada e esses peixes são de ouro. Que sejas feliz como mereces!...
Toino agradeceu feliz e apertou a mãozinha da fada que desapareceu na noite. Apressado remou o pesado barco carregado com seu precioso recheio. Por incrível que pareça, este, num ápice chegou à margem. Toino prendeu-o e a correr foi chamar sua mulher.
- Carminha, Carminha vem comigo!...Vem ver uma coisa linda...vem ver os peixes que pesquei!
Ao chegarem ao pé do barco, Toino contou à sua companheira o sucedido. Num abraço longo se quedaram. Podiam enfim viver o seu amor.



FIM

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